O medo.

Cheguei em Buenos Aires.

Agora começa a aventura! Daqui pra frente é ver, sentir, viver e descobrir coisas novas e se descobrir.

Mas minha jornada não começa agora. Ela começou muito antes. Há cerca de 2 anos comecei a pensar nessa viagem como uma possibilidade… a princípio queria conhecer o Uyuni, mas pesquisando sobre o lugar percebi que diversas pessoas, de diversas idades e nacionalidades tinham o Uyuni apenas como passagem, apenas uma das muitas aventuras de um caminho muito maior.

Então comecei a pesquisar um pouco mais sobre América do Sul, tudo que havia para se fazer por aqui, todas as pessoas que já rodaram esse continente de todas as formas possíveis: a pé, de bicicleta, de carro, de kombi, de ônibus.

Por mais que eu insistisse em colocar dificuldades e pedras no caminho, minhas pesquisas e meu inconsciente, que já estava muito certo do que queria, sempre encontravam uma solução: perigo, distância, saudade, falta de dinheiro… tudo isso tem uma solução. A grande batalha mesmo era contra o medo, só ele seria capaz de me fazer não completar a missão.

E era medo de tudo, do que eu posso encontrar e que posso não encontrar, medo da distância e da minha incapacidade, mas principalmente medo de fazer diferente. De sair do padrão, medo de abrir mão do emprego estável e largar de lado o sonho de uma vida tranquila que parecia se desenhar pra mim.

Foram 2 anos em uma conversa unilateral com Planilhas de Excel e Gdocs, montando planos para uma viagem que parecia que eu nunca teria coragem de fazer.

Até que chegou o momento em que minha vida era tudo, menos tranquila… aquela estabilidade se parecia na verdade com monotonia e tava tirando de mim toda energia e vivacidade. “É tempo de travessia…”

E a travessia começa agora, daqui pra frente eu já não sei o que está por vir, e ao mesmo tempo que isso me apavora também me motiva. Nem tudo vai dar certo sempre, algumas horas vão ser mais difíceis, outras mais fáceis. Pode ser que eu fique 8 meses fora, pode ser um ano… ou posso cansar e voltar em 3 meses.

Mas independente do que vier pela frente, quero guardar na memória o sentimento que tenho agora: orgulho de mim mesmo, por ter vencido o medo e ter tido coragem de dar o primeiro passo, e simplesmente partir!

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

Amyr Klink

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