Conquistando o que a infância sonhou

Minha educação musical sempre foi muito eclética, por isso não tenho vergonha de dizer que às vezes me pego escutando coisas bizarras, como Roupa Nova… e tem uma das músicas deles (que eu nem gosto muito na verdade) que fala “eu compro o que a infância sonhou”. Sempre achei essa frase muito forte, é como se isso fosse a prova de todo êxito na vida! Poder comprar tudo que se sonhou quando criança… para alguns é a casa da Barbie, pra outros as versões reais dos carrinhos da Hot wheels. Para mim o grande problema dessa frase é que ela da um ênfase muito grande em “ter”, e isso pra mim nunca foi mensurável de sucesso…

Talvez o problema dos adultos é que eles esquecem o que de fato queriam quando crianças e acabam correndo atrás de coisas sem sentindo. Eu tenho alguns flashs… Me lembro que quando eu era criança que ficava vendo aviões passando bem distante pela janela de casa, tão longe que pareciam um estrela cadente para a qual eu fazia um pedido: queria estar ali dentro, poder voar pra diversos lugares. Sempre me pegava invejando a liberdade de quem estava ali dentro do avião, sempre voando de um lado pro outro… enquanto eu tava presa em uma realidade que parecia pequena demais pra mim.

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Por isso eu sonhava… brincava sozinha no imenso quintal de casa, imaginando que as samambaias eram espécies raras de plantas carnívoras, os montes de areia e pedra eram o Everest ou o Aconcágua e cada canto daquele quintal reservava um encanto diferente.

Na minha cabeça, minhas tardes eram como episódios do Globo Repórter (único documental que eu assistia).

Hoje eu estou em Galápagos, um desses lugares que a maioria das pessoas só vai conhecer pelo Globo Repórter ou algum documentário da BBC.

Estou aqui, vendo de perto todos aqueles animais que eu vi pela primeira vez nas páginas amareladas de um dos livros da série Enciclopédia Life, da revista Time, páginas que eu folheava com o encanto de quem descobre um mundo novo, sempre pensava: “como pode existir algo assim no planeta?!?!”. Aqui eu pude estar entre as Tartarugas Gigantes de Galápagos, nadar com os leões marinhos e tubarões, pude viver esses momentos com o mesmo deslumbramento daquela criança que folheava páginas amareladas da enciclopédia, e que não acreditando que poderia existir algo assim no mundo, preferiu ir lá e ver de perto.

Hoje eu entendo o pessoal do Roupa Nova, talvez a letra não seja sobre a importância de possuir coisas, mas sim sobre conquistar o que é necessário para realizar seus sonhos de criança. É realmente uma sensação de vitória pessoal incrível poder realizar seus sonhos! É como se toda vez que a gente olhasse para o nosso carro ou casa dos sonhos (no meu caso, serão as fotos e lembranças desses dias em Galápagos) a gente fosse automaticamente transportado para anos atrás, quando ainda éramos criança e não tínhamos a mínima ideia da complexidade da vida.

Talvez, no final das contas a vida não seja sobre possuir coisas, mas sobre conquistar seus sonhos, muito além de realizar, conquistar exige luta e trabalho, não é fácil. Para quem ainda não teve oportunidade de experimentar essa sensação de viver um sonho de criança, eu sugiro que o faça, tenho a impressão que esse é o genuíno gosto da felicidade.

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