Rota dos 7 Lagos – O circuito grande

A rota dos 7 Lagos é um dos passeios mais requisitados em Bariloche. É um passeio de dia inteiro, um dos que começa mais cedo por lá, a saída é as 8h – isso no inverno significa que o dia nem amanheceu ainda.

No dia que fiz esse tour “dei sorte” de estar nevando, a sorte nesse caso é relativa, pois esse é um passeio contemplativo, ou seja, vamos apenas observar paisagens e a neve intensa altera essas paisagens. Então em um dia sem tanta neve, com certeza as paisagens teriam uma beleza diferente.

Primeira parada em Villa la Angostura.
Muita neve em todas as paradas!

O tour consiste em uma viagem até a cidade de San Martin de Los Andes, 200km ao norte de Bariloche e durante essa viagem são feitas algumas paradas estratégicas nos mirantes dos 7 lagos que nos acompanham pelo caminho, na realidade apenas 5 dos 7 lagos possuem mirante, então de fato são 5 paradas. Os lagos são muito parecidos, mas com uma beleza diferente em cada um deles, a estrada em si também é bastante bonita, então é um ótimo passeio para quem gosta de tirar fotos.

Paisagem cheia de neve, a névoa prejudica a visibilidade.
Uma das “praias” na rota, no verão esse é um espaço para os banhistas… no inverno é só neve mesmo.

A primeira parada é na Villa la Angostura, a 100km de Bariloche. É uma pequena vilinha e essa parada de 20 minutos é apenas para usar os banheiros e comprar alguns lanches. De Villa la Angustura até San Martin de Los Andes são mais 100km, onde acontecem as 5 paradas para apreciação dos lagos. Por volta das 13h chegamos em San Martin, paramos em um restaurante meio carinho para comer, não sei se haviam outras opções próximas, pelo que pareceu, era tudo a mesma faixa de preço.

Em San Martin ficamos cerca de 2h30, para almoço e andar pela cidade. A cidade é bem pequena, bem em frente ao Lago Lacar, que proporciona um belo visual para fotos.

Bela vista para o lago Lacar, em San Martin de Los Andes.

Na volta tem mais uma parada em Villa la Angostura, essa com um pouco mais de tempo para passear pela pequena vila.

Quanto custa o passeio?

Eu fiz com a Natural Travel, paguei 1350 pesos argentinos (cerca de 190 reais), além disso tem o almoço em San Martin que saiu por 470 pesos (ou 67 reais). Achei o passeio meio carinho, mas é um tour de dia inteiro em uma van confortável e com poucas pessoas (não sei se dei sorte)

Quanto gastei em um mochilão de 20 dias na Argentina

O começo da viagem é sempre mais difícil se adaptar, entender que uma viagem de longa duração é diferente de uma viagem de férias por isso os custos diários costumam ser mais altos do que a média ideal. Sem falar que Argentina e Chile são os lugares mais caros da viagem mesmo.

Roteiro da Argentina:

  • Buenos Aires: 8 dias (acabei tendo que ficar um dia a mais do que o programado por conta da greve geral que aconteceu justamente no dia que ia embora)
  • Mar del Plata: 3 dias
  • Bahia Blanca: 2 dias
  • Bariloche: 7 dias

Nesse começo de viagem eu fiz muitas refeições fora e algumas vezes em lugares não muito baratos, isso acabou elevando a média diária também. O fato de estar sozinha também é complicado, com certeza ter alguém para compartilhar as refeições deixa o custo unitário mais barato.

Os dias que fiquei em Couchsurfing em Mar del Plata e Bahia Blanca ajudaram a economizar um pouco.

As passagens de ônibus são um custo considerável, os trechos que fiz na Argentina eram sempre servidos por ônibus na categoria leito ou semi-leito, o que acabou encarecendo um pouco esse ponto da viagem. Mas o conforto em viagens longas também é sempre bem vindo!

Em Bariloche fiz muitos tours, havia a possibilidade de fazer com coletivos, mas o frio não estava convidativo. Bastante complicado aguardar o transporte público em temperaturas negativas, então tive que apelar para os tours fechados mesmo.

O custo diário de 54 dólares ainda está um pouco alto. Os planos agora incluem 15 dias de trabalho voluntário em troca de hospedagem em Puerto Varas e mais 15 em Púcon, já no Chile. Com mais tempo economizando em hospedagem e com a possibilidade de cozinhar a própria comida e sem tantos tours caros, espero conseguir reduzir um pouco esse custo diário.

Minha meta é terminar a viagem com um custo diário entre 35 e 40 dólares.

tabela - custo - argentina

grafico custo ARG

Circuito Chico, o city tour de Bariloche

O Circuito Chico, ou Circuito Pequeno, é o passeio básico de Bariloche. Nada mais é do que o “city tour”, onde você passar por um trecho de cerca de 65km de uma vista surpreendente sempre beirando o imenso lago Nahuel Huapi dentro da cidade de Bariloche, parando em pontos estratégicos para tirar fotos e observar o visual, ele é chamado de “Chico” para se diferenciar o circuito maior chamado de “7 Lagos” e que passa também por outras cidades da região. Esse é um passeio que pode ser feito tranquilamente em uma manhã, ou mais se se você preferir.

Como fazer?

Existem algumas opções para realizar esse circuito. A mais comum é fazer o tour com alguma das inúmeras agências que oferecem o percurso, existem realmente muitas agências em Bariloche, mas os preço dos tours são tabelados entre elas, então dificilmente você vai encontrar variações. Você pode também alugar um carro e percorrer o circuito se guiando por um mapa, sem aquela agonia dos “tours” com hora marcada. Uma alternativa é solicitar um taxi e negociar com ele para fazer o trajeto do Circuito Chico, em uma espécie de “tour privado”. E existe também a opção mais barata, que é fazer o percurso em ônibus coletivo, afinal de contas existe uma linha de ônibus que passa pelos principais pontos do Circuito. Eu naturalmente faria o percurso de ônibus, no entanto existem alguns “contras” nesse caso: está bastante frio e fazer o percurso de ônibus significaria passar muito tempo em um espaço aberto esperando o próximo ônibus passar em cada parada, o ônibus não passa em todos os pontos, o que me faria perder algumas coisas, mas devo admitir que o frio foi a razão principal.

Quanto custa?

Como comentei, os preços dos tours são tabelados entre as agências e variam de acordo com a temporada (alta/baixa). Em julho/18, quando fiz o passeio o valor da tabela era 470 pesos, algo equivalente a 65 reais. Fiz o tour com a agência Natural Travel, que fica na rua principal de Bariloche, Rua Mitre 106. Além desse custo, também há uma taxa de 280 pesos (40 reais) para subir o Cerro Campanario que é a principal atração do tour.

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O Circuito

A primeira parada é também a mais importante, o Cerro Campanario, um dos principais mirantes da região, já foi inclusive reconhecida pelos fotógrafos da revista National Geographic como uma das principais vistas do Mundo. É possível subir o Cerro a pé, mas uma das principais atrações são as “aerosillas”, as cadeiras flutuantes… uma aventura a parte que cabe melhor numa narrativa por vídeo, como vocês pode ver abaixo.

A aventura é grande, mas vale a pena. É realmente uma das melhores vistas!

A vista que é tida como uma das mais bonitas do mundo.

Vista do mirador do Cerro Campanario

Após a parada no cerro o passeio segue, parando no mirador onde temos uma vista para o Lago Moreno.

Vista para o lago moreno

O tour então segue para o Hotel Llao Llao, o hotel mais famoso da região, um verdadeiro 5 estrelas, com uma belíssima vista para o lago. Os visitantes, claro, não podem entrar no hotel, é necessário fazer uma reserva especial para day use, eu não o fiz, conhecer hotéis cinco estrelas não é o objetivo principal dessa viagem.

Depois de passar pelo hotel, paramos na Capela de San Eduardo, onde você pode apreciar a arquitetura do Hotel Llao Llao, que é patrimônio arquitetônico da Argentina, além de tirar diversas fotos com uma bela vista do Lago.

O famoso Hotel Llao Llao. Llao Llao é o nome de um fruto que surge nas árvores a partir de um fungo. Muito comum na região e que era bastante consumido pelos Mapuches (indígenas que habitavam essa região).

Feito tudo isso é hora de voltar para a cidade, algumas agências sugerem que voltando para a cidade, por volta das 12h30, você já emende com o tour para o Cerro Catedral. Eu sinceramente não recomendo, o Cerro Catedral (mesmo para aqueles que não querem fazer esportes na neve) tem diversas atrações e vale a pena ter um dia só pra ele, com calma.

O que eu fui fazer em Bahia Blanca?

Bahia Blanca está longe de ser uma cidade turística, beemmm longe disso. Mas como eu fui parar lá? Olhando o mapa enquanto montava meu roteiro percebi que o caminho de Mar del Plata até Bariloche de ônibus era muito longo, quase 24h, então busquei uma cidade grande no meio do caminho, onde pudesse fazer uma parada para não ficar tanto tempo dentro do ônibus.

Dando uma olhada no mapa, Bahia Blanca parecia a opção ideal, é uma cidade grande, tinha boas opções de horário de ônibus e ficava no litoral, não poderia ser tão ruim, afinal de contas é praia. E lá fomos nós (eu e a mochila no caso)…

Mas na realidade não tem praia em Bahia Blanca, é na verdade um grande porto, que serve para escoar a produção do polo petroquímico da cidade, sem praia! Fui trollada pelo Google maps e pela minha ignorância.

Bahia Blanca é uma cidade com quase 300 mil habitantes na província de Buenos Aires, tem um dos principais portos de águas profundas do país e um polo petroquímico, a economia da cidade gira em torno disso. Há também uma grande universidade pública, a Universidad del Sur, o que atrai jovens de diversas cidades da região para Bahia Blanca.

No mais, faltam opções de lazer na cidade, e digo isso não para os turistas, já que todos aqueles que passam por lá estão em uma situação parecida com a minha, apenas de passagem rumo ao sul, mas faltam opções de lazer para os próprios moradores. A cidade tem um belíssimo parque na região central, o Parque de Mayo, que é surpreendente, com diferentes árvores, pássaros e muito espaço para fazer “asados” ou “pic-nic´s”. No entanto essa acaba sendo a única opção de lazer dentro da cidade o que faz com que o parque fique lotado nos finais de semana e principalmente no verão. Existe a opção de ir para alguma das praias próximas também, mas acaba exigindo um deslocamento maior.

Foi em Bahia Blanca também que comecei a observar um hábito interessante, as pessoas levam bem a sério a “siesta”, eu particularmente desconhecia que se praticava a “siesta” pela América do Sul, mas em Bahia Blanca percebi que o comércio fechava às 12h ou 13h, abrindo novamente às 15h30. É bom ter isso em mente antes de sair para comprar qualquer coisa por lá.

Bahia Blanca foi a cidade das surpresas, tinha a expectativa baixa em relação a cidade, afinal de contas era só para passar uns 2 dias antes de seguir viagem… a primeira grande surpresa foi a ausência da praia, mas superado esse susto o que veio a seguir foi bem interessante, o passeio no parque, a tranquilidade da cidade, tudo é um convite para longas e relaxantes caminhadas. Valeu a pena parar por aqui.

Mar del Plata, a primeira experiência com o Couchsurfing e o encontro com os lobos marinhos

A viagem de Buenos Aires para Mar del Plata de ônibus é tranquila, são 5h30 de viagem, a passagem na categoria “Cama”, que é uma das mais confortáveis, saiu por 670 pesos, uns R$90,00 na cotação atual (jul/2018). É um passeio que definitivamente vale a pena, mesmo no inverno.

Mar del Plata é o principal refúgio dos argentinos no verão (eu jurava que era Florianópolis, mas tudo bem…), quando as praias estão sempre cheias e os hotéis lotados. Mas eu fui no inverno, e a cidade muda um pouco nessa época, as águas do mar que estão longe de ser quentes como a do Nordeste, ficam ainda mais frias e o vento frio vindo do sul não deixa a praia muito convidativa a um banho, mas as paisagens permanecem lindas e o passeio na orla é surpreendente.

Onde me hospedei

Em Mar del Plata tive a minha primeira experiência no Couchsurfing, uma plataforma virtual para troca de hospedagens e experiências. Diversos amigos já haviam usado a ferramenta, mas eu nunca tinha tido a oportunidade e confesso que tinha um pouquinho de medo. A primeira experiência foi perfeita para quebrar essas barreiras. Fiquei na casa de uma menina que já havia estudado no Brasil e falava bem o português. A grande diferença de ficar na casa de alguém, principalmente através do Couchsurfing, é que você tem a oportunidade de conhecer pessoas que são locais, conhecer suas percepções sobre a cidade onde vivem e o país, além de conhecer os lugares que frequentam no dia-a-dia. Foi assim em Mar del Plata, tive a sorte de estar por lá bem no dia do aniversário da minha host, pude então conhecer um bar típico local, com ótima cerveja e boa música, além de receber dicas valiosas sobre a cidade.

Um passeio na orla

A orla de Mar del Plata é linda. Bastante extensa, é difícil percorre-la toda a pé, por mais que você tenha preparo físico e disposição, uma boa opção é pegar o ônibus 221, é uma linha turística que percorre toda a orla e as principais atrações da cidade, essa linha também é a única que aceita pagamento “en efectivo”, ou seja, você pode pagar em dinheiro e não precisa do cartão de transporte, o custo de cada trecho é 10 pesos, um valor bem justo.

Pegando o ônibus na Praça Mitre (próximo de onde eu me hospedei) desci no Cassino Del Mar, que fica próximo à praça principal da cidade e do monumento aos Lobos Marinhos, caminhando um pouco mais pela orla se chega ao Torreón Del Monje, construção histórica da cidade e ponto obrigatório para as fotos. Um pouco mais a frente se chega ao Balneário Bahia Varese, ótimo lugar para tirar fotos do pôr do sol e apreciar a paisagem, durante o verão essa é uma das praias mais cheias da cidade. Andando um pouco mais pela orla chegamos na Playa Chica, uma parte do litoral que não é propício para banho pois aqui o mar arrebenta nas pedras, no entanto o calçadão próximo a essas pedras tem uma vista sensacional para o mar, um convite a contemplação e muitas fotos.

O porto e os lobos marinhos

Lendo sobre a cidade, diversos lugares sugeriam a visita ao porto. Então novamente peguei o ônibus 221, dessa vez rumo ao porto. Chegando lá uma surpresa, pois de fato não havia muito o que fazer por lá. É apenas um porto mesmo, nada digno de nota, existe um espaço mais “turístico”, com restaurantes que vendem uma comida “ok” por um preço alto, ou mesmo os restaurantes de “tenedor libre”, o famoso coma á vontade. No porto uma refeição em um dos restaurantes “tenedor libre” ficava por 350 pesos, algo parecido no centro da cidade saia por 220 pesos, só para vocês entenderem a diferença de preço. Porém, é no porto que temos uma das atrações mais legais da cidade, andando um pouco mais a frente dessa área dos restaurantes (sempre pedindo informações, pois a sinalização não existe), chegamos ao encontro dos Lobos Marinhos. Eles são símbolo da cidade de Mar del Plata e muitos deles ficam nessa região próxima ao porto para tomar sol e interagir com os passantes. Não foi muito fácil achar o reduto dos lobos marinhos, mas depois de pedir algumas informações, estou andando distraidamente quando simplesmente surge um bicho enorme do meu lado, passado o susto deu pra perceber que eles são na realidade muito dóceis, a não ser quando alguém chega muito perto, qualquer tentativa de se aproximar mais de um metro pode render um ataque meio desengonçado desses bichões. Mas é muito legal ver os bichinhos soltos e assim tão de perto, uma experiência “muy rica”, como se diz por aqui.

Mar del Plata me surpreendeu positivamente, ainda quero conhecer a cidade no verão… mas mesmo no inverno, valeu bastante a pena. Próxima parada: Bahia Blanca.

Buenos Aires, a outra Mesopotâmia

“Sabiam que existem duas Mesopotâmias no mundo? Uma é a verdadeira “Mesopotâmia”, que fica entre os rios Tigre e Eufrates, a outra é aqui: Buenos Aires”.

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Foi com essa frase, meio em “portunhol”, que um taxista conseguiu prender minha atenção na primeira noite na capital portenha. Ele tentava me explicar porque a carne argentina era a melhor do mundo, o raciocínio dele vazia sentido… se a Mesopotâmia, que é considerada o berço da civilização atual, sempre foi uma região riquíssima e muito disputada por conta da sua fertilidade, fruto da localização privilegiada entre dois rios, a qualidade da carne argentina seria resultado do bom pasto que cresce numa região plana entre rios, a região de Buenos Aires.

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Não chequei a veracidade dos fatos, mas estou preferindo acreditar nesse filósofo das ruas argentinas: Buenos Aires é a outra Mesopotâmia, e a carne argentina é a melhor do mundo. Bem, quanto a isso não vou discordar mesmo. Se come muita boa carne e se bebe muito bom vinho em Buenos Aires, e me dediquei com afinco a essas duas atividades quando estive por lá, afinal de contas já havia visitado a cidade algumas vezes, conhecido os principais pontos turísticos, então reservei esses dias para “curtir” a cidade.

O que fiz por lá e vale recomendar:

Para comer:

La Cabrera: esse é bem famoso dos brasileiros, o restaurante especializado em carnes já teve um atendimento melhor, mas as filas de espera seguem enormes e ainda vale a pena pela qualidade da carne e a grande oferta de acompanhamentos que eles servem como cortesia.

Mishiguene: esse está carregando o troféu de melhor restaurante da viagem até o momento e é grande candidato a seguir assim, pelo menos até chegar em Lima. Restaurante de imigrantes, tem fortes raízes judaicas, um cardápio variado (kosher – mas juro que o bacon não faz falta), ambiente agradável e boa carta de vinhos. Vale e muito a visita, o preço é justo… difícil achar uma refeição com essa qualidade e por esse preço em São Paulo.

Perez H: “La mejor hamburguesa em el pais de la mejor carne” – é assim que eles se vendem, se é de fato o melhor hambúrguer do país eu não sei, tenho pouco repertório para chegar nessa conclusão. Mas posso garantir que de fato o hambúrguer é bom, preço honesto e vale a visita.

Chori: O raio gourmetizador passou por aqui, acabaram gourmetizando o tradicional “Chouripan”, mas tudo bem, porque dessa vez acertaram! No Chori você encontr algumas versões do tradicional lanche de rua argentino, com um pão de qualidade. Uma boa parada para um lanche rápido.

Para beber:

Alaire Terrace Bar: Um barzinho com um belo terraço, dois destaques positivos por aqui: o preço do vinho e o ambiente aquecido, apesar de aberto. Para comer, melhor pedir uma das pizzas, a chance de errar é menor.

Cervezeria Patagonia: Existem algumas pela cidade de Buenos Aires, onde você pode tomar “pintas” da famosa cerveja Patagonia, eles servem gratuitamente umas porções de milho salgado que caem bem para acompanhar as cervejas.

Uptown Bar: Esse é o lugar do momento em Buenos Aires, o conceito é parecer um pedacinho de NY na capital argentina, você entra pelo que parece ser uma entrada de metrô, com direito a vagão de trem inclusive. Começa a noite como um restaurante e depois passa a ganhar ares de balada, tocando bastante hip hop e servindo bons drinks. Diferente dos outros “boliches” (é assim que eles chamam balada”, aqui a noite começa cedo. Aparentemente, a noite em Buenos Aires só começa a ferver após às 3h da manhã, e eu não tenho mais saúde para isso. O Uptown está mais próximo da minha realidade.

Florería Atlántico: Um belíssimo bar de drinks, eu particularmente fiquei pouco, pois o lugar estava um pouco cheio, mas nesse pouco tempo tomei um dos melhores gin tônicas da vida, e queria continuar e provar a carta inteira!

O medo.

Cheguei em Buenos Aires.

Agora começa a aventura! Daqui pra frente é ver, sentir, viver e descobrir coisas novas e se descobrir.

Mas minha jornada não começa agora. Ela começou muito antes. Há cerca de 2 anos comecei a pensar nessa viagem como uma possibilidade… a princípio queria conhecer o Uyuni, mas pesquisando sobre o lugar percebi que diversas pessoas, de diversas idades e nacionalidades tinham o Uyuni apenas como passagem, apenas uma das muitas aventuras de um caminho muito maior.

Então comecei a pesquisar um pouco mais sobre América do Sul, tudo que havia para se fazer por aqui, todas as pessoas que já rodaram esse continente de todas as formas possíveis: a pé, de bicicleta, de carro, de kombi, de ônibus.

Por mais que eu insistisse em colocar dificuldades e pedras no caminho, minhas pesquisas e meu inconsciente, que já estava muito certo do que queria, sempre encontravam uma solução: perigo, distância, saudade, falta de dinheiro… tudo isso tem uma solução. A grande batalha mesmo era contra o medo, só ele seria capaz de me fazer não completar a missão.

E era medo de tudo, do que eu posso encontrar e que posso não encontrar, medo da distância e da minha incapacidade, mas principalmente medo de fazer diferente. De sair do padrão, medo de abrir mão do emprego estável e largar de lado o sonho de uma vida tranquila que parecia se desenhar pra mim.

Foram 2 anos em uma conversa unilateral com Planilhas de Excel e Gdocs, montando planos para uma viagem que parecia que eu nunca teria coragem de fazer.

Até que chegou o momento em que minha vida era tudo, menos tranquila… aquela estabilidade se parecia na verdade com monotonia e tava tirando de mim toda energia e vivacidade. “É tempo de travessia…”

E a travessia começa agora, daqui pra frente eu já não sei o que está por vir, e ao mesmo tempo que isso me apavora também me motiva. Nem tudo vai dar certo sempre, algumas horas vão ser mais difíceis, outras mais fáceis. Pode ser que eu fique 8 meses fora, pode ser um ano… ou posso cansar e voltar em 3 meses.

Mas independente do que vier pela frente, quero guardar na memória o sentimento que tenho agora: orgulho de mim mesmo, por ter vencido o medo e ter tido coragem de dar o primeiro passo, e simplesmente partir!

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

Amyr Klink

O roteiro, parte 1.

poster mapa
Esse mapa legalzão aqui está disponível no http://www.viagema.com.br/

Roteiro é, por definição: itinerário ou descrição minuciosa de viagem. Está no Google, e se está no Google é verdade. Sendo assim, seria muito arrogante chamar os meus planos de viagem de roteiro, afinal de contas falta bastante “minucia” ainda, mas uso a licença poética para fazê-lo apenas em caráter didático.

A grande verdade é que não tenho nada “traçado em pedra”, mas sim grandes vontades, lugares que sempre desejei conhecer e estou traçando os planos de viagem, de forma relativamente fluida, levando em conta esses meus desejos.

Mas fazer uma viagem tão longa, sem ter tudo já planejado, reservado, passagem de volta comprada e deixando espaço para “o que ocorrer” é um desafio para mim, talvez o primeiro grande aprendizado da jornada: segura a ansiedade e deixa as coisas acontecerem.

Então para dar um pouco de sossego para meu lado virginiano (não sei ao certo, mas deve ter alguma coisa do meu mapa astral que é virgem, não é possível), temos um roteiro de viagem até Santigo, no Chile, que em tempo quer dizer início de agosto. O que é só o começo da viagem, esse roteiro vai crescendo até chegarmos a Colômbia, ou quem sabe América Central.

Vamos aos detalhes:

mapa santiago2

A – Buenos Aires: início da viagem, já estive algumas vezes na cidade, a última há 1 ano atrás, dessa vez espero ter a oportunidade da fazer coisas menos “turísticas”, mas talvez eu não consiga fugir de um jantar no “La Cabrera“. Vale lembrar que vou viver duas experiências interessantes aqui: assistir um jogo da argentina na copa da Rússia junto com os hermanos e assistir também um jogo do Brasil em terrar portenhas. Oremos.

B – Mar del Plata: Não conheço a cidade, mas desde que optei por incluir no roteiro tenho ouvido e lido coisas maravilhosas, talvez o inverno não seja a melhor época, mas é o que tem pra hoje.

C – Bahia Blanca: É meio surpresa o que vou encontrar por aqui, coloquei no roteiro como uma parada antes de Bariloche, para torna a viagem mais curta.

 D – Bariloche: Neve, neve…

E – Puerto Varas: Nessa pequena cidade do sul do Chile eu fico um pouco mais de tempo (cerca de 15 dias) e pela primeira vez na viagem irei trabalhar em um hostel em troca de alimentação e hospedagem. A cidade é bastante conhecida dos mochileiros, fica a beira de um lago e tem passeios e paisagens bem interessantes. Enquanto estiver por aqui, pretendo visitar também Puerto Montt (F no mapa).

G – Pucon: Cidade famosa pelo vulcão Vilarrica, que será o primeiro grande desafio físico do rolê: subir até o vulcão, vamos ver se rola…

H – Valdívia: Cidade litorânea no sul do Chile, e é isso, não sei muita coisa ainda não. Mas parece um lugar legal.

I – Concepcion: Segunda maior cidade do Chile, tem parques próximos que podem trazer passeios interessantes.

 J – Santiago: Capital do Chile, já estive lá uma vez, etc e tal. O que importa mesmo aqui é que eu vou assistir COLO COLO X CORINTHIANS in loco, pelas oitavas de final da Libertadores! O sorteio da Comenbol ajudou e vou poder matar a saudade do Timão, como falei no primeiro post, quando é pra ser as coisas acontecem.  E ainda com a possibilidade de receber a visita ilustre de minha mãe e algumas amigas!!

Por enquanto é isso que está planejado… Aceito dicas e sugestões desses lugares

Até mais.

Porque eu escolhi viajar…

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Os filmes que mais me tocaram, desde muito cedo, eram “road movies“. O primeiro que me lembro de ter assistido foi Thelma e Louise, depois me lembro de dois nacionais muito bons, Central do Brasil e Cinema, Aspirinas e Urubus. Into the Wild é um clássico, tem uma trilha sonora maravilhosa, por mais que não seja nenhuma obra prima da sétima arte. Talvez não tenham sido os melhores filmes que vi na vida, não é esse o ponto, mas com certeza foram os que mais me tocaram e deixaram aquela vontade de “queria viver essa história”.

E dentre todos, o que mais me marcou foi Diários de Motocicleta. Foi acompanhando as aventuras do jovem Che, até então Ernesto, que pela primeira vez me dei conta do quanto o nosso continente era diverso, rico e lindo. E foi vendo esse filme que decidi que queria viver essa história… veja bem, esse é um filme de 2005, eu devo ter assistido pela primeira vez em 2007 (ou antes, não lembro ao certo), então são pelo menos 11 anos que alimento essa ideia no meu inconsciente. Então, não…. não foi de uma hora pra outra, não foi de repente que decidi “largar tudo” e viajar.

Sobre largar tudo…

Nos últimos dias ouvi mais de uma vez expressões enaltecendo a coragem de “largar tudo” e colocar o pé no mundo. Gosto dessa expressão “largar tudo”, por que pensando bem, o que é tudo né? Eu não larguei nada de lado, as coisas que de fato importam pra mim vão seguir comigo: minha família, meus amigos… eles estarão sempre ao meu lado, no meu coração e nas minhas lembranças, e isso que é inegociável na minha vida, e disso eu não abro mão. Quando me falam que estou “largando tudo”, percebo que a visão do que é “tudo” varia de pessoa para pessoa, e que talvez, para eles eu esteja de fato “largando tudo”, mas pra mim eu estou indo atrás de tudo

Indo atrás de tudo…

Depois de alguns anos com essa ideia na cabeça, pelo menos 30 roteiros desenhados e arquivados, decidi que era a hora de finalmente colocar o plano em prática. Mas porque agora?

Bem… eu sou dessas pessoas que acredita que o destino encontra formas de ajudar você a traçar o caminho. E quando fiquei na dúvida, o destino me trouxe resposta e me fez crer que essa era o hora certa.

Em dezembro de 2017 decidi que queria fazer a viagem esse ano, desde então tudo que eu precisava para tornar isso possível tem acontecido. Desde encontrar coragem e motivação até conseguir economizar o suficiente para tirar essa ideia da planilha de Excel.

Então essa é a hora…

Começo a viagem no dia 19 de junho, e nos próximos posts vou falar mais sobre a viagem, roteiros, planos e preparação.

Vamos!

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”

Fernando Teixeira de Andrade